sábado, 29 de janeiro de 2011

Noel Rosa


Sua vida foi curta, mas Noel Rosa compôs, em 26 anos, uma das obras mais consagradas do cenário musical brasileiro. Com isso, tornou-se um dos compositores mais gravados do país.

Nascido Noel de Medeiros Rosa, em 11 de dezembro de 1910, foi sambista, cantor, compositor, bandolinista e violonista. Mais do que as músicas conhecidas até os dias de hoje, foi de fundamental importância para a legitimação do samba de morro, tanto entre os membros da classe média, quanto no rádio (principal meio de comunicação na época).

O seu parto foi considerado complicado. Além disso, Noel nasceu com hipoplasia de mandíbula (o que causou o desenvolvimento limitado da mesma) – provável Sindrome de Pierre-Robin – fato que deu-lhe uma fisionomia diferente, realidade apontada no samba “Frankestein da Vila”, de Wilson Batista, em polêmica ocorrida entre os dois, que explicarei mais pra frente.

Primeiro filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, diferentemente da maioria dos sambistas da época, ele era de classe média e teve estudo no tradicional Colégio São Bento.

Ainda na adolescência, aprendeu a tocar bandolim de ouvido, o que o fez tomar gosto pela música (também por conta do destaque que ela lhe proporcionava). Passando a tocar violão, tornou-se uma das principais figuras das boemia carioca.

O poeta da vila (como ficaria conhecido mais pra frente) chegou a entrar na Faculdade de Medicina, mas a vida de artista, com noites regadas a cerveja, era muito mais atraente do que os estudos.

O primeiro lampejo de Noel em composições ocorreu em 1929 com “Minha viola” e “Toada do céu”, as duas gravadas por ele mesmo. Em 1930, foi que ele chegou ao sucesso com o lançamento de “Com que roupa?” - com muito humor. Aliás, as composições que se seguiram mostraram que ele era um ótimo cronista do cotidiano, com canções que primavam pelo bom humor e pela crítica inteligente.



Um episódio curioso na vida de Noel foi a polêmica com Wilson Batista. Os dois protagonizaram um duelo de canções, atacando-se com sambas bem-humorados, entre os quais os sucessos “Feitiço da Vila” e Palpite infeliz”, ambos de Noel.

Graças a vida boemia e o pouco cuidado consigo mesmo, o poeta da Vila passou anos lutando contra a tuberculose. Foi para cidades altas a fim de tratar-se e, de volta ao Rio, jurou estar curado, mas faleceu em sua casa no bairro de Vila Isabel em 1937, em consequência da doença.

Como um dos mais importantes nomes da música popular brasileira, Noel foi alvo de muitos estudos, livros, peças de teatro, filmes e até de uma estátua, localizada no bairro de Vila Isabel, em que um garçom o serve.

Principais composições:

• Com que roupa?, 1929
• Gago apaixonado, 1930
• Fita amarela, 1932
• Mulher indigesta, 1932
• Para me livrar do mal (com Ismael Silva), 1932
• De qualquer maneira (com Ary Barroso), 1933
• Estrela da manhã (com Ary Barroso), 1933
• Feitio de oração (com Osvaldo Gogliano, o Vadico), 1933
• Filosofia (com André Filho), 1933
• Isso não se faz (com Ismael Silva e Francisco Alves), 1933
• Não tem tradução (Cinema falado), 1933
• Onde está a honestidade? (com Francisco Alves), 1933
• O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), 1933
• Quem não quer sou eu (com Ismael Silva), 1933
• Rapaz folgado, 1933
• Seja breve, 1933
• Três apitos, 1933
• Feitiço da Vila (com Osvaldo Gogliano, o Vadico), 1934
• O maior castigo que te dou, 1934
• As pastorinhas (com João de Barro), 1934
• Se a sorte me ajudar (com Germano Augusto Coelho), 1934
• O século do progresso, 1934
• Triste cuíca (com Hervê Cordovil), 1934
• Conversa de botequim (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1935
• Deixa de ser convencida (com Wilson Baptista), 1935
• Palpite infeliz, 1935
• Pierrô apaixonado (com Heitor dos Prazeres), 1935
• O que é que você fazia? (com Hervê Cordovil), 1935
• Silêncio de um minuto, 1935
• Dama do cabaré, 1936
• Provei (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1936
• Você vai se quiser, 1936
• O x do problema, 1936
• Pra que mentir (com Oswaldo Gogliano, o Vadico), 1937
• Último desejo, 1937

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Adoniran Barbosa



Adoniran Barbosa, com certeza, é, se não o mais conhecido, um dos mais consagrados sambistas de São Paulo. Além de compositor de alguns clássicos do ritmo, ele foi cantor, humorista e ator. Sempre deixando evidente a sua maneira simples e caricata de ser.

Apesar do nome pelo qual ficou conhecido, a sua certidão de nascimento comprova que o Adoniran chamava-se João Rubinato, graça citada em algumas músicas como “Seu Barbosa”, de Paulo Vanzolini.

Outro fato interessante é que Adoniran nasceu em 6 de julho de 1912, na cidade de Valinhos. Porém, quando ele possuía 10 anos de idade, sua certidão foi falsificada, alterando-se a data para dois anos antes. Isso ocorreu pois, na época, só era permitido que uma criança trabalhasse a partir dos doze anos.

Portanto, todas as homenagens prestadas ao centenário de Adoniran (supostamente em 2010), foram equivocadas. Deixando isso de lado, já que o nosso primeiro personagem merece todas as lembranças possíveis, continuemos com a sua história.

Filho de imigrantes italianos (Fernando e Elba Rubinato), da cidade de Veneza, trabalhou desde os 10 anos de idade, em diversas funções – de ajudante de serviço de cargas em vagões na E.F. São Paulo Railway (atual E.F. Santos-Jundiaí), a entregador de marmitas, varredor de fábrica, tecelão, pintor de parede, mascate, encanador, serralheiro, garçom, ajustador mecânico e vendedor.

Após ter mudado-se para Santo André (em 1924), aos 22 anos de idade, transferiu-se para São Paulo. Na época, Adoniran já arriscava-se como compositor com canções como “Minha vida se consome” (parceria com Pedrinho Romano e Verídico) e “Socorro” (também ao lado de Pedrinho Romano).

Aos poucos o ainda João Rubinato ia entrando no mundo da música brasileira. Só foi aprovado em um programa radiofônico em 1933, cantando “Filosofia”, de Noel Rosa e André Filho. Em 1935, venceu o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura de São Paulo e teve a sua primeira música gravada por Raul Torres.

No mesmo ano, passou a utilizar o pseudônimo Adoniran Barbosa. A explicação para o “apelido” é a seguinte: Adoniran veio de um amigo de boemia e Barbosa foi extraído do sambista Luiz Barbosa, que admirava muito.

Trabalhou como animador, radioator e ator, fazendo diversas novelas e filmes. Inspirado no samba “Saudosa maloca” (de Adoniran Barbosa), em 1955 Osvaldo Moles escreveu para o rádio o programa “História das malocas”, no qual Adoniran interpretou o personagem Charutinho. O programa chegou a ser levado para a televisão.

É curioso e vale lembrar que a interpretação dos Demônios da Garoa, da sua música “Trem das onze” (símbolo de São Paulo) venceu o concurso de músicas carnavalescas no quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro.



No total, Adoniran gravou apenas três discos (LP’s), o primeiro só em 1973. No final da sua carreira, fazia shows esporádicos, somente na região de São Paulo, sempre acompanhado pelo Grupo Talismã.

Em 23 de novembro de 1982, após uma parada cardíaca, João Rubinato faleceu, deixando uma obra sensacional. Em São Paulo, museus, ruas, escolas, praças, bares e até um albergue de desportistas receberam seu nome ou o de suas obras a fim de imortalizá-lo.

Principais composições: 
  • Abrigo de vagabundo, Adoniran Barbosa, 1959
  • Acende o candieiro, Adoniran Barbosa, 1972
  • Agüenta a mão, Hervê Cordovil e Adoniran Barbosa, 1965
  • Apaga o fogo Mané, Adoniran Barbosa,  1956
  • As mariposas, Adoniran Barbosa, 1955
  • Bom-dia tristeza, Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes, 1958
  • Despejo na favela, Adoniran Barbosa, 1969
  • Fica mais um pouco, amor, Adoniran Barbosa, 1975
  • Iracema, Adoniran Barbosa, 1956
  • Joga a chave, Osvaldo França e Adoniran Barbosa, 1952
  • Luz da light, Adoniran Barbosa, 1964
  • Malvina, Adoniran Barbosa, 1951
  • Mulher, patrão e cachaça, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1968
  • No morro da Casa Verde, Adoniran Barbosa, 1959
  • O casamento do Moacir, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1967
  • Pafunça, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1965
  • Prova de carinho, Hervê Cordovil e Adoniran Barbosa, 1960
  • Samba do Arnesto, Alocin e Adoniran Barbosa, 1953
  • Samba italiano, Adoniran Barbosa, 1965
  • Saudosa maloca, Adoniran Barbosa, 1951
  • Tiro ao Álvaro, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1960
  • Tocar na banda, Adoniran Barbosa, 1965
  • Trem das onze, Adoniran Barbosa, 1964
  • Viaduto Santa Efigênia, Nicola Caporrino e Adoniran Barbosa
  • Vila Esperança, Ari Madureira e Adoniran Barbosa, 1968

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Primeiro post

Axé pra quem é de samba!!!

Neste primeiro post, quero explicar a ideia deste blog. Ele será um espaço para falarmos da obra dos principais nomes desse ritmo que faz do Brasil um dos principais redutos da música.

A ordem em que aparecerem os compositores, interpretes e músicos não significa que um é melhor ou pior do que o outro. Eles serão homenageados de acordo com a agilidade com que eu realizar as pesquisas sobre esses personagens.

Também, abro espaço para que todos participem (comentando, acrescentando informações, sugerindo novos nomes, etc). Assim como o samba não tem dono, esse blog também é para que reconstruamos juntos a história daqueles que levaram essa manifestação genuinamente brasileira ao patamar elevado em que ela se enconta atualmente.

Vamos então às homenagens...