Adoniran Barbosa, com certeza, é, se não o mais conhecido, um dos mais consagrados sambistas de São Paulo. Além de compositor de alguns clássicos do ritmo, ele foi cantor, humorista e ator. Sempre deixando evidente a sua maneira simples e caricata de ser.
Apesar do nome pelo qual ficou conhecido, a sua certidão de nascimento comprova que o Adoniran chamava-se João Rubinato, graça citada em algumas músicas como “Seu Barbosa”, de Paulo Vanzolini.
Outro fato interessante é que Adoniran nasceu em 6 de julho de 1912, na cidade de Valinhos. Porém, quando ele possuía 10 anos de idade, sua certidão foi falsificada, alterando-se a data para dois anos antes. Isso ocorreu pois, na época, só era permitido que uma criança trabalhasse a partir dos doze anos.
Portanto, todas as homenagens prestadas ao centenário de Adoniran (supostamente em 2010), foram equivocadas. Deixando isso de lado, já que o nosso primeiro personagem merece todas as lembranças possíveis, continuemos com a sua história.
Filho de imigrantes italianos (Fernando e Elba Rubinato), da cidade de Veneza, trabalhou desde os 10 anos de idade, em diversas funções – de ajudante de serviço de cargas em vagões na E.F. São Paulo Railway (atual E.F. Santos-Jundiaí), a entregador de marmitas, varredor de fábrica, tecelão, pintor de parede, mascate, encanador, serralheiro, garçom, ajustador mecânico e vendedor.
Após ter mudado-se para Santo André (em 1924), aos 22 anos de idade, transferiu-se para São Paulo. Na época, Adoniran já arriscava-se como compositor com canções como “Minha vida se consome” (parceria com Pedrinho Romano e Verídico) e “Socorro” (também ao lado de Pedrinho Romano).
Aos poucos o ainda João Rubinato ia entrando no mundo da música brasileira. Só foi aprovado em um programa radiofônico em 1933, cantando “Filosofia”, de Noel Rosa e André Filho. Em 1935, venceu o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura de São Paulo e teve a sua primeira música gravada por Raul Torres.
No mesmo ano, passou a utilizar o pseudônimo Adoniran Barbosa. A explicação para o “apelido” é a seguinte: Adoniran veio de um amigo de boemia e Barbosa foi extraído do sambista Luiz Barbosa, que admirava muito.
Trabalhou como animador, radioator e ator, fazendo diversas novelas e filmes. Inspirado no samba “Saudosa maloca” (de Adoniran Barbosa), em 1955 Osvaldo Moles escreveu para o rádio o programa “História das malocas”, no qual Adoniran interpretou o personagem Charutinho. O programa chegou a ser levado para a televisão.
É curioso e vale lembrar que a interpretação dos Demônios da Garoa, da sua música “Trem das onze” (símbolo de São Paulo) venceu o concurso de músicas carnavalescas no quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro.
No total, Adoniran gravou apenas três discos (LP’s), o primeiro só em 1973. No final da sua carreira, fazia shows esporádicos, somente na região de São Paulo, sempre acompanhado pelo Grupo Talismã.
Em 23 de novembro de 1982, após uma parada cardíaca, João Rubinato faleceu, deixando uma obra sensacional. Em São Paulo, museus, ruas, escolas, praças, bares e até um albergue de desportistas receberam seu nome ou o de suas obras a fim de imortalizá-lo.
Principais composições:
- Abrigo de vagabundo, Adoniran Barbosa, 1959
- Acende o candieiro, Adoniran Barbosa, 1972
- Agüenta a mão, Hervê Cordovil e Adoniran Barbosa, 1965
- Apaga o fogo Mané, Adoniran Barbosa, 1956
- As mariposas, Adoniran Barbosa, 1955
- Bom-dia tristeza, Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes, 1958
- Despejo na favela, Adoniran Barbosa, 1969
- Fica mais um pouco, amor, Adoniran Barbosa, 1975
- Iracema, Adoniran Barbosa, 1956
- Joga a chave, Osvaldo França e Adoniran Barbosa, 1952
- Luz da light, Adoniran Barbosa, 1964
- Malvina, Adoniran Barbosa, 1951
- Mulher, patrão e cachaça, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1968
- No morro da Casa Verde, Adoniran Barbosa, 1959
- O casamento do Moacir, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1967
- Pafunça, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1965
- Prova de carinho, Hervê Cordovil e Adoniran Barbosa, 1960
- Samba do Arnesto, Alocin e Adoniran Barbosa, 1953
- Samba italiano, Adoniran Barbosa, 1965
- Saudosa maloca, Adoniran Barbosa, 1951
- Tiro ao Álvaro, Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa, 1960
- Tocar na banda, Adoniran Barbosa, 1965
- Trem das onze, Adoniran Barbosa, 1964
- Viaduto Santa Efigênia, Nicola Caporrino e Adoniran Barbosa
- Vila Esperança, Ari Madureira e Adoniran Barbosa, 1968

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