Antônio Candeia Filho, nascido em 17 de agosto de 1935, em casa de bamba, desde pequeno foi às rodas de samba, aonde conheceria personagens como Zé com Fome, Claudionor Cruz, Luperce Miranda, entre outros.
Tornou-se um dos nomes mais respeitados no samba, com o que vivenciou nesse ambiente de festa, aprendendo a tocar violão e cavaquinho (e a acompanhar o partido com instrumentos de percussão improvisados – como a faca no prato), além de frequentar terreiros de Candomblé e de jogar capoeira. De tudo isso, nasceu um dos maiores defensores e conhecedores da cultura afro-brasileira.
Em 1953, ao lado de Altair Prego, compôs “Seis datas magnas”, seu primeiro samba enredo. Neste ano, a Portela conseguiu um feito inédito: recebeu nota 10 em todos os quesitos do desfile, totalizando 400 pontos.
Na sua vida profissional, em 1961, Candeia entrou para a polícia. Os que conviveram com ele contam que o seu temperamento truculento e sem meias palavras foi decisivo para o seu destino e para os rumos de suas composições.
Suas atitudes intempestivas causaram ressentimentos entre seus companheiros e parceiros de samba. Ainda que com as dúvidas de alguns em relação à veracidade da história, numa noite, o sambista agrediu uma prostituta, a qual rogou-lhe uma praga. Na noite seguinte, ao sair atirando do carro, após um acidente de trânsito, levou um tiro na coluna vertebral, o que deixou-lhe paraplégico.
Deprimido com o destino, recolheu-se em sua casa, sem receber praticamente ninguém. Coube aos amigos Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazê-lo de volta a cena do samba. “De qualquer maneira, meu amor, eu canto”, dizia um dos versos que marcaram seu reencontro com a vida.
No pouco tempo que lhe restava, Candeia foi um líder carismático, extremamente fiel a sua aspiração de sambista, com canções como: “Dia de Graça" e "Minha Gente do Morro”. Afinado com seus ideais, em dezembro de 1975 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O estatuto que delineava os objetivos da nova entidade dizia: “Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo”. Ainda em 1975, Candeia compôs “Testamento de Partideiro”, em que exaltava: “Quem rezar por mim que o faça sambando”.
Em 1978, gravou “Axé” um dos mais importantes discos da história do samba. No mesmo ano, publicou seu livro “Escola de Samba, Árvore que Perdeu a Raiz”, escrito com Isnard. Após isso, em 16 de novembro, Candeia faleceu, deixando um enorme legado e uma história de adoração ao samba e à cultura afro-brasileira.
Principais composições
- A flor e o samba
- A hora e a vez do samba
- A luz do vencedor
- A paz do coração
- A volta
- Alegria perdida (Ioiô de Iaiá)
- Amor não é brinquedo
- Coisas banais
- Conselhos de vadio
- De qualquer maneira
- Dia de graça
- Eterna paz
- Eu sou aquele
- Filosofia do samba
- Gamação/Peixeiro granfino/Ouço uma voz/Vem amenizar
- La vai viola
- Luz da inspiração
- Minha gente do morro
- Minhas madrugadas
- Não tem veneno
- O sonho não se acabou
- Ouro Desça Do Seu Trono
- Paixão, segundo eu
- Preciso me encontrar
- Regresso
- Riquezas do meu Brasil
- Samba da antiga
- Testamento de partideiro
- Vai pro lado de lá
- Vem menina moça
- Viver

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