quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Nelson Cavaquinho


Iniciou sua relação com a música por meio do instrumento que leva no apelido. Tocando em rodas de samba realizadas junto aos operários da fábrica em que trabalhava, Nelson mudou para o violão e o tocou de maneira única (da qual falaremos adiante). A justificativa para a troca foi a de que o cavaquinho era muito pequeno.

Nelson Antônio da Silva nasceu no dia 29 de outubro de 1911, no Rio de Janeiro, em família já envolvida com a música: o pai era músico da Polícia Militar e o tio tocava violino. A sua queda para o samba aconteceu na época em que morou na Gávea, quando passou a frequentar rodas de choro.

Também, por conta da influência do pai na polícia, Nelson empregou-se fazendo rondas noturnas a cavalo. Esse emprego foi essencial para sua chegada ao morro da Mangueira, aonde conheceu sambistas como Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda. Esses tiveram o privilégio de ouvir, em primeira mão, muitos dos sambas compostos por Nelson.

No carnaval de 2011, a escola de samba G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira homenageará Nelson Cavaquinho pelo seu centenário. "O Filho Fiel, Sempre Mangueira" é o nome do enredo que a agremiação levará para a avenida.

Uma das suas características mais marcantes era a maneira como tocava violão. Diferente do que se costuma ver, Nelson cavaquinho tirava seus acordes do instrumento utilizando um dedo a menos. Só esse fato, já lhe daria destaque, mas as suas canções o deixariam mais em evidência.


O seu principal parceiro foi Guilherme de Brito. Com ele, Nelson compôs clássicos como “A flor e o espinho” e “Folhas secas”. Sua primeira música gravada foi “Não faça vontade a ela”, em 1939, na voz de Alcides Gerardi.

Após deixar a polícia, Nelson Cavaquinho passou por sérios problemas financeiros. Para conseguir se sustentar, ele viu-se obrigado a vender parcerias de canções que havia feito sozinho. Por conta de um fato como esse, Cartola chegou a abrir mão de uma composição que havia feito com Nelson e preservar a amizade.

Alguns anos após o pouco destaque da gravação de sua primeira composição, foi descoberto por Ciro Monteiro, quem fez diversos registros de suas canções. Graças ao destaque conquistado, Nelson passou a se apresentar em público no Zicartola (bar de Cartola e de Dona Zica, no centro do Rio de Janeiro). O seu primeiro LP (Depoimento de poeta) só saiu em 1970.

Marcas das suas canções eram a extrema simplicidade e letras quase sempre remetendo a questões como o violão, mulheres, botequins e, principalmente, a morte. Nelson faleceu vítima de um enfisema pulmonar, na madrugada do dia 18 de fevereiro de 1986.

Principais composições 
  • A flor e o espinho
  • Caridade
  • Cheira a vela
  • Degraus da vida
  • Dona Carola
  • Folhas secas
  • Juízo final
  • Luz negra
  • Minha festa
  • Não te dói a consciência?
  • Nem todos sao amigos
  • Noticia
  • O bem e o mal
  • Palhaço
  • Pranto de poeta
  • Quando eu me chamar saudade
  • Rugas
  • Visita triste
  • Vou partir

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