Um típico carioca. Esse era Ciro Monteiro. Nascido no bairro do Rocha, ele sempre viveu em ambiente musical – sobrinho do pianista Nonô, um dos mais famosos do Rio de Janeiro, que, na época, acompanhava Sílvio Caldas, Ciro vivenciou muitos ensaios em sua casa. E foi assim que ele aprendeu: observando e ouvindo.
Nascido no dia 28 de maio de 1913, foi cantor e um dos mais importantes compositores brasileiros do início do século XX, o que iria influenciar muitos outros bons sambistas, como João Nogueira, por exemplo.
Ciro costumava cantar informalmente para os amigos. Porém, em 1933, Sílvio Caldas o chamou para substituir Luís Barbosa (com quem fazia dupla) em uma apresentação na Rádio Philips.
Apesar do sucesso do dueto, cada um acabou para seu lado e, no ano seguinte, Ciro estava no "Programa das Donas de Casa", da Rádio Mayrink Veiga, já batucando sua caixinha de fósforos, criando a marca registrada que o acompanharia por toda a carreira.
Ainda em 1936, fez sua primeira gravação para o carnaval daquele ano, o que o projetou, levando-o a cantar ao lado de Carmen Miranda, Francisco Alves e Mário Reis. Um ano depois gravou seu primeiro grande sucesso , “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins.
Intérprete refinado e "inventor" da caixa de fósforos como instrumento de percussão nos sambas, ele era conhecido pelo apelido de Formigão. Figura humana de raras qualidades, Ciro é, até hoje, exaltado por todos que o conheceram. Nas palavras de Vinicius de Moraes: "Ciro Monteiro era um grande abraço na humanidade".
Sua simpatia, bondade e bom caráter abriram-lhe muitas portas durante a longa carreira, que nem uma enfermidade pulmonar conseguiu interromper. Recuperado, com voz pequena, mas conservando o gingado, a divisão e o vibrato, suas características marcantes, ele seguiu cantando samba.
Em 13 de julho de 1973, após construir uma das mais belas carreiras da música brasileira, de ter participado de programas de TV e de peças de teatro, Ciro Monteiro faleceu.
Principais sucessos:
• Beija-me (Mário Rossi e Roberto Martins), 1943
• Beijo na boca (Augusto Garcez e Ciro de Sousa), 1940
• Boogie-woogie na favela (Denis Brean), 1945
• Botões de laranjeira (Pedro Caetano), 1942
• Deus me perdoe (Humberto Teixeira e Lauro Maia), 1946
• Escurinho (Geraldo Pereira), 1955
• Falsa baiana (Geraldo Pereira), 1944
• Linda flor da madrugada (Capiba), 1941
• Meu pandeiro (Ari Monteiro e Luís Gonzaga), 1947
• Nêga Luzia (Jorge de Castro e Wilson Batista), 1956
• O bonde de São Januário (Ataulfo Alves e Wilson Batista), 1940
• O que se leva dessa vida (Pedro Caetano), 1946
• Oh, seu Oscar! (Ataulfo Alves e Wilson Batista), 1939
• Os quindins de Iaiá (Ari Barroso), 1941
• Pisei num despacho (Elpídio Viana e Geraldo Pereira), 1947
• Rosinha (Heber de Bóscoli e Mário Martins), 1941
• Rugas (Ari Monteiro, Augusto Garcez e Nelson Cavaquinho), 1946
• Se acaso você chegasse (Felisberto Martins e Lupicínio Rodrigues), 1938
• Sereia de Copacabana (A. F. Marques e Antenor Borges), 1948

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